HISTÓRIA
Fatos marcantes

- Escritura de compra do Estádio Edmundo Feix [veja mais]
- Edmundo Feix desmaia em campo [veja mais]

- Acidente com ônibus do Guarani [veja mais]
- Clube encerra a "lua-de-mel" de Ennio
[veja mais]
- Tuffi Nazário aceita a presidência
[veja mais]


ESCRITURA DE COMPRA DO ESTÁDIO EDMUNDO FEIX
[voltar ao topo]

"Escritura de compra e venda de imóvel suburbano"

Saibam quantos esta pública escritura vieram que ano de mil novecentos e cinqüenta, aos oito (8) dias do mês de setembro, nesta cidade de Venâncio Aires, Estado do Rio Grande do Sul, neste Cartório compareceram: de uma parte, como outorgante vendedora, Meta Bender, brasileira, solteira, maior, de afazeres Domésticos, aqui residente, e, de outra parte, como outorgada compradora, Esporte Clube Guarani, sociedade cívico esportiva, com sede nesta cidade, representada por seus Direitos, digo, Presidente José Mathias Spies, brasileiro, casado, residente e domiciliado nesta cidade. Os presentes, conhecidos de mim, ajudante substituta do Tabelião e das testemunhas adiante nomeadas, do que dou fé. Pela outorgante vendedora me foi dito, na presença das mesmas testemunhas que é senhora e possuidora de uma fração de terras medindo a área de treze mil, cento e vinte e seis metros quadrados (13.126m2), sita na zona suburbana desta Cidade, com as seguintes confrontações: a leste, numa largura de dezesseis metros (16m) a rua Coronel Agra, deste ponto flexiona numa linha reta em direção oeste numa extensão de vinte e dois metros (22m) deste ponto flexiona em linha reta na extensão de cento e trinta e três metros (133) em direção sul, sempre dividindo com a outorgante vendedora, desse ponto flexiona em direção oeste, numa extensão de oitenta e oito metros (88m) fazendo frente à rua Jacob Becker, desse ponto flexiona em linha reta em direção norte numa extensão de cento e vinte e dois metros (122m) fazendo frente à rua Henrique Mylius: acompanhado, desse ponto, "Sanga do Cambara" , até encontrar a divisa norte, onde divide com a outorgante vendedora numa extensão de oitenta e cinco metros (85m), tudo de acordo com a planta levantada pelo agrimensor licenciado Adão Nery de Macedo, que fica fazendo parte integrante desta escritura, cujo imóvel foi havido de herança de Henrique Bender, conforme certidão de partilha julgada por sentença de 17 de outubro de 1935 e transcrita sob o número 993, no livro 3-H do Registro de Imóveis, que o referido imóvel, na forma acima discriminado, por esta escritura e na melhor forma de Direito, vende, como vendido tem, à outorgada compradora, "Esporte Clube Guarani", pelo preço e quantia de Cinco mil cruzeiros (CR$ 5.000,00) em moeda corrente, que neste ato recebeu do representante da outorgada, à qual dá plena e geral quitação, obrigando-se a fazer esta venda para sempre boa, firme e valiosa e a responder pela outorgada, a paz e a salvo de quaisquer dúvidas futuras, transmitindo-lhe, desde já a posar, domínio, direitos, ações e servidões que exercia sobre o imóvel objeto desta venda. Pela outorgada compradora me foi dito, perante as mesmas testemunhas, que em verdade todo o expendido e que aceitava esta escritura tal como se declara. Foi exibido o recibo de número 1336 datado de hoje, de que trata o Decreto lei 9331, mais os seguintes documentos: Transmissão Inter Vivos, Exercício de !950, Valor pago CR$5.000,00 - Imposto CR$ 375,00, Escolas CR$ 37,00, Higiene CR$ 18,80, Coop. CR$ 9,40 - Recebemos do Esporte Clube Guarani a quantia de CR$ 440,00, ao Imposto de Transmissão Inter Vivos, devido pela aquisição que faz à Meta Bender. Exatoria Estadual em Venâncio Aires, 9 de setembro de 1950. M. Capelão H. Braga. Certifico em cumprimento que os livros desta Coletoria, nesta data consta em débito em nome da mesma. Coletoria Estadual em V. Aires, 9 de setembro de 1950. Oscar Barros. Certifico tendo em vista a informação da Fazenda Municipal que a Sra. Meta Bender se acha quite com esta Repartição, Secretaria, em 9 de setembro de 1950. Lucas Reckziegel. Certifico que revendo os livros no corrente exercício não consta ser a requerente Meta Bender, devedora de impostos a Fazenda Nacional por esta repartição até a presente data. Coletoria Federal e V. Aires, 9 de setembro de 1950. M. Soares, Coletor. Depois de escrito este, eu, ajudante substituta do Tabelião, ali, em voz alta, perante eles, que, reciprocamente a aceitaram e assinaram com as testemunhas Helmuth Bender e Edmundo Feix, brasileiros, maiores, residentes neste município, conhecidos de mim, que escrevi e assino.
Ajudante Subst. do Tabelião: Helena V. Bueno


EDMUNDO FEIX DESMAIA EM CAMPO
[voltar ao topo]

"Uma das últimas partidas do Edmundo Feix foi em1948", continuou falando o padrinho José Mathias Spies. "Fomos jogar em Soledade. Certa altura do jogo o Edmundo deu uma escapada pela esquerda, sozinho em direção do gol e antes de entrar na grande área com condições de fazer o gol, ele desmaiou em campo de cansado, não tinha mais condições de jogar, os seus trinta e cinco anos já estavam pesando. Com esta, ele largou o jogo e começou a atuar como dirigente. O Edmundo fazia tudo, arrumava o campo, comprava camiseta, era o faz de tudo do Guarani".


ACIDENTE COM ÔNIBUS DO GUARANI
[voltar ao topo]

Certa ocasião, em 1950, o Guarani foi jogar em Roca Sales. Continuou Spies: "No lado de cá do rio, antes de chegarmos na ponte, escapou o varão da direção do ônibus, ele entrou mato a dentro e foi um susto para todo mundo. Sorte que ninguém se machucou. O motorista e o dono do ônibus, o Sr. Dino Machado, foi a Lajeado, arrumou outro ônibus e a delegação do Guarani chegou depois do meio-dia a Roca Sales e conseguimos jogar.

Em outra ocasião, também em 1950, o Guarani estava se preparando para jogar em Estrela com o primeiro e o segundo time. Na hora de embarcar no ônibus para a viagem não apareceram cinco jogadores da equipe titular. Em Estrela, foi realizado o jogo preliminar com o segundo time. Para o jogo principal, a equipe foi completada com cinco jogadores do segundo time e mesmo assim o Guarani conseguiu empatar com a forte equipe do Estrela.

Uma vez, o Guarani perdeu por doze a um para uma equipe de Santa Cruz, no campo deles. Depois, em Venâncio Aires, o Guarani venceu por dois a um o Santa Cruz. Foi uma das maiores vitórias que eu vi do Guarani, porque era difícil jogar e ganhar do Santa Cruz, que tinha uma boa equipe.


CLUBE ENCERRA A "LUA-DE-MEL" DE ENNIO
[voltar ao topo]

Conversando com o Sr. Ennio da Cruz, ele disse: Eu comecei a jogar no Guarani em 1943, quando entrei num jogo, que não me recordo o adversário, na ponta esquerda no lugar do Edmundo Feix, que já estava ficando velho para o futebol. Nesta época nós disputávamos mais jogos amistosos. Mais tarde começou um campeonato regional, com as equipes de Roca Sales, Encantado e Estrela.

Continuando a sua história, o Ennio diz que certa vez o Guarani foi jogar em Roca Sales. Neste momento, Dona Victória, esposa de Ennio complementa: Nós casamos no Sábado do 7 de julho de 1956. Neste dia, um jogador do Guarani adoeceu e no Domingo encostou o ônibus do Guarani em frente da casa para levar o Ennio à Roca Sales. O Ennio foi e eu fui junto.

No jogo deu uma baita pauleira. Continuou Ennio: Não foi o juiz para apitar o jogo. Então nós colocamos o Aedo como nosso representante para um sorteio com o representante deles. Eles ganharam o sorteio e o cara começou a apitar o jogo de bombacha e chapéu. Ele estava bêbado. Eu como capitão do time do Guarani, cheguei perto dele e disse: O senhor está cheirando a cachaça! Ele respondeu: Tomei só um traguinho. No fim, deu uma briga onde só deu tempo de nós embarcarmos no ônibus e vir tomar banho em Estrela. No jogo, nós empatamos em dois a dois.

Nós jogávamos por amor à camiseta. Hoje isto não existe mais. A única coisa que eu ganhei do Guarani foi através do Sr. José Mathias Spies, que me deu uma Fatiota, um Terno muito bonito. O que eu gostava era que o cachorro-quente não dava lucro. Eles não vendiam nada durante o jogo. Quando terminava a partida, os jogadores comiam tudo de graça. Esta conversa com o Ennio foi no dia 20 de maio de 1999.


TUFFI NAZARIO ACEITA A PRESIDÊNCIA
[voltar ao topo]

No dia 4 de maio de 1999, conversei com o meu tio Guaracy Alberto Campos, um dos grandes presidentes do nosso Guarani. Na ocasião, ele me disse que o guarani começou jogando num campo da família Schuster, onde hoje é a Vila Maier. Quando começaram a fazer o campo na terra dos Bender, eu era garoto e me lembro que tinha um barranco que foi tirado à carrinho de mão.

Continuando, o tio Gua (como é chamado carinhosamente pelos sobrinhos) disse: Como jogador, tive um período curto de lateral direito do segundo time. Na direção, fui quatro vezes presidente do Guarani. Uma vez, em uma reunião, ninguém queria aceitar a presidência, e nós demos um folgo no Tufi Nazário e ele aceitou a presidência, mas com duas condições: De o Biquinho (Sinei Lücke de Campos) ser o técnico e o Gastão Guedes ser o secretário.

 

Seção Fatos Marcantes

Fonte:
Livro "Esporte Clube Guarani - 70 anos"
de Nilton Campos de Azevedo
Editora Treze de Maio

 

| CLUBE | HISTÓRIA | GAUCHÃO | NOTÍCIAS | TRIBO | EMAIL |